sábado, 29 de dezembro de 2012

MÚSICA - DEPOIS DE NÓS

   Uma análise de música para alegrar o final de ano aqui no blog!

   ENGENHEIROS DO HAWAII - DEPOIS DE NÓS



Hoje os ventos do destino começaram a soprar.
Nosso tempo de menino foi ficando para trás.
Com a força de um moinho que trabalha devagar,
vai buscar o teu caminho, nunca olha para trás.

No primeiro verso, destaco que o sujeito simples da locução verbal “começaram a soprar” é os ventos do destino. Por se tratar de uma oração que indica um fenômeno da natureza, alguns alunos (por ter decorado a regra dos verbos que indicam fenômeno da natureza) classificam erroneamente a oração como sendo sem sujeito. No segundo verso, uma ocorrência do verbo “ficar” como intransitivo, e não como verbo de ligação. O substantivo “moinho” é exemplo de palavra que não é acentuada pela regra do hiato por possuir um hiato nasal (seguido de “nh”). No último verso, dois verbos no imperativo: O primeiro (vai) usa o tratamento de 2ª pessoa do singular (tu); o segundo está errado de acordo com a norma culta, devendo ser grafado como “nunca olhes”, já que é imperativo negativo.

Hoje o tempo voa nas asas de um avião,
sobrevoa os campos da destruição,
é um mensageiro das almas dos que virão ao mundo
depois de nós.

Na segunda estrofe destaco o fato de que os quatro versos possuem termos preposicionados que se referem a nomes: “de um avião” se refere a asas, “da destruição” se refere a campos, “das almas” se refere a mensageiro e “de nós” se refere a depois. Os três primeiros são adjuntos adnominais porque asas, campos e mensageiro são substantivos concretos; o último é complemento nominal porque depois é advérbio. Todas as vírgulas utilizadas no período separam orações coordenadas assindéticas. As únicas duas palavras acentuadas “é” e “nós” recebem o acento pela mesma regra, são monossílabos tônicos terminados em a(s), e(s), o(s).

Hoje o céu está pesado, vem chegando temporal.
Nuvens negras do passado, delirante flor do mal.
Cometemos o pecado de não saber perdoar.
Sempre olhando para o mesmo lado, feito estátuas de sal.

A locução verbal “vem chegando” tem sujeito simples posposto (temporal).  No segundo verso, temos uma frase nominal, já que não há presença de verbos. Os verbos “chegando” e “olhando” estão ambos no gerúndio e apresentam dois dígrafos cada, um consonantal, outro vocálico; por isso possuem dois fonemas a menos em relação ao seu número de letras. O verbo “perdoar”, no infinitivo, desempenha a função de objeto direto do verbo “saber”, sendo, portanto, uma oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo (ô, nomezinho...). Temos também a ocorrência da palavra “feito” funcionando como conjunção comparativa, sinônima de “como” ou “tal qual”.

Hoje o tempo escorre dos dedos da nossa mão,
Ele não devolve o tempo perdido em vão,
é um mensageiro das almas dos que virão ao mundo
depois de nós.

A quarta estrofe tem os últimos dois versos iguais ao da segunda estrofe. Nos dois primeiros, destacamos que o verbo “escorre” é intransitivo, não transitivo indireto, pois o termo “dos dedos da nossa mão” funciona como adjunto adverbial de lugar. A oração no segundo verso corresponderia, na voz passiva analítica, a: “O tempo perdido em vão não é devolvido por ele”.

   Beijos!!!

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